II Seminário Paulista de autismo 2010

II Seminário Paulista de autismo 2010

11 novembro 2011

É brincando que se atende / Com brinquedos e figuras, a dentista Adriana Zink consegue driblar o difícil comportamento dos autistas


Em um consultório simples no bairro Tucuruvi, zona norte de São Paulo, o dia mal começou e a dentista Adriana Gledys Zink se prepara para mais uma jornada de trabalho. No jaleco, o primeiro indício de que ela não é uma profissional comum. O orgulho pelo que faz está marcado em letras garrafais na cor azul em meio ao branco da roupa: Dra. Adriana - Pacientes Especiais. Seu primeiro paciente chega fazendo barulho. Dá para ouvir sua agitação na sala de espera, a alguns metros do consultório. É Lucas Ferragut Melo, 17 anos, que se consultará pela segunda vez. De repente, o jovem moreno, alto, com cabelo curtinho e semblante bem-humorado entra de supetão na sala. Seu olhar percorre o consultório à procura de algo. Verificando cada detalhe, ele segue em direção à cadeira de dentista, separada do restante do consultório por um biombo. Depois, retorna para o espaço onde Adriana mantém um computador (com fotos de pacientes), uma mesa e cadeiras, percebe o tapete colorido no chão e se anima com uma boneca Barbie loira. A empolgação é tanta que ele a pega no colo e, em vez de se direcionar para a cadeira e iniciar o tratamento, sai da sala com ela nos braços dizendo: "Vou levá-la". Rapidamente, Adriana o chama de volta e se levanta para buscá-lo. Antes, porém, me olha com um sorriso de satisfação genuíno: "Você viu que ele veio? Tinha certeza que ia procurar a boneca que ficou esperando por ele na consulta anterior".
E, assim, começa, definitivamente, mais um dia de trabalho para a dentista que se especializou em atender autistas. Para tanto, teve de desenvolver e adaptar técnicas. Com Lucas, por exemplo, ela aproveitou a predileção do garoto por bonecas para motivá-lo a voltar à próxima consulta: a boneca o esperaria para que "os dois" dessem continuidade ao tratamento. E funcionou. Lucas só largou a Barbie, depois que terminou a consulta, para colocá-la numa bancada onde ela o aguardará até a próxima visita. Adriana estava ansiosa para saber se ele procuraria o brinquedo e, ao final, o seu sorriso comprovou não só que houve o resultado esperado, mas que cada progresso de seus pacientes é também uma vitória para ela.

Reportagem da Revista Sentidos